quarta-feira, 30 de março de 2016

ODE AOS NOVENTA ANOS DO POETA THIAGO DE MELLO

Thiago,  caboclo véio,
vindo lá da margem direita 
do rio Paraná de Ramos:
lá da sua Barreirinha.

Traz no rosto seu sorriso
nos abraços, como amigo,
traz conforto e Esperança.
Nas palavras dá coragem

de lutar, poder dizer
em tom de denúncia
(ou aviso) em
recados de companheiros

que não cessam de chegar
ou partir em novas viagens.
(ficam guardados no peito
quando alguns viram estrelas.)

Vou seguir seu estatuto,
Poeta meu companheiro:
acreditar nos adultos
com sorriso de criança,

Olhar-me fundo no espelho
dos olhos desses meninos,
pesar com gesto e sorriso
o que não cabe em balança.

Fico feliz em pensar
que completas um novo ano         
conservando em sabedoria
o seu olhar de menino.

Que o outono que agora chega
renove nossas folhagens
mas sem ressecar o amor
profundo em nossas raízes.

Outras primaveras virão
e teus versos, livres,
como pássaros ressoarão
aos nossos corações com

a riqueza de tuas rimas
que canta a dor dos pobres
de dinheiro, mas riquíssimos
no que cabe à alma e saberes.

Você, querido Menestrel,
faz parte da História
dos povos que conviveu
e repartiu a luz de tua voz

e da História de vida
de cada um; fez e faz
a vida ser mais vida
a quem te tem aos ouvidos

ou com olhos fatigados
na dureza da labuta
folheia em papel impresso
o reflexo de seus dias.

Pois saiba, belo Bardo,
que navegar em teu barco
iluminou meus caminhos:
soube na luz dos teus olhos

na raiz dos teus cabelos, brancos
de vivências, que poderia seguir
mesmo andando no escuro (nem
tanto) da madrugada camponesa.

Em meu quarteto imperfeito
te canto, como cantou,
nosso irmão de luz Bandeira:
peço-te uma luz, que nos dê tua inspiração

(pois em tempos tão turbulentos
é preciso ter cuidado 
conosco e nossos irmãos
ante o poço lamacento) 

de calma e sabedoria
ante as cheias da tempestade,
mas também vigor e garra
para enfrentar os desmandos

do bicho de quatrocentos anos
com a cautela e a ternura
nos olhos dos companheiros/
companheiras que a vida presenteia:

Assim juntos, braços dados e fortes,
com a voz cristalina de amor
venceremos as armas da guerra
com flores de furta-cor.





PS: 
Concluo esta humilde ode
com votos de paz e saúde
ao Mestre de longa estrada
-Poeta Thiago de Mello-
Artífice de palavras!

quinta-feira, 24 de março de 2016

Imagem em Homenagem

Ara, Araquém, logo se vê
a quem tuas lentes servem:
curumins nus correm leves
sorrindo ao teu clique breve.

Mais médicos nos recantos
mais distantes do sertão
demonstram aos desvalidos
o valor que a vida tem,

vida que quer ser vivida
pelas onças das florestas
que tua visão reaviva:

Agradeço Araquém Alcântara
pelas denúncias funestas
e pela beleza que encanta.


Imagem disponível em: http://www.araquem.com.br/galeria/#pag=2

sábado, 19 de março de 2016

QUASE SAMBA EM TOM CHOROSO

Eu te pedi
você não quis
me esperar
um só momento

me desprezou,
enlouqueci:
vou por aí
sem ter alento

sempre a cantar
meus tristes versos
rodopiando
soltos ao vento

já não encontram
nem um sossego
já não possuem
um firmamento

seguem vagando
triste destino
de um vagabundo
preso no peito:

oh meu pobre coração,
miserável e a razão?
onde ficou?
Estou sofrendo...

sexta-feira, 11 de março de 2016

Impudica

Das pequenas às rechonchudas,
das largas ancas às mais modestas,
venero o quadro completo:
curvas, seios, coxas, cintura...
mas, o que ao conjunto emoldura:
são as duas faces da Lua!

sábado, 5 de março de 2016

NECESSIDADE 


é preciso fazer-se inverso
eu preciso fazer-te uns versos
pra que não te esqueça
pra sair da cabeça

viajar para o além
vou para o oriente
talvez te queira bem
sentimento insistente

talvez nem mais te queira
como bem quis tanto
você, de toda maneira

talvez também pudesse
dizer que não houve pranto
mas, isso não acontece.

sexta-feira, 4 de março de 2016

Acordei antes do Sol,
disse adeus à última estrela,
A Lua, persistente, após meu
sono velar, aguardava meu despertar
invadindo a Aurora, que a ela ofereci outrora.