segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Hi(tec)Kai
carrego o peso de mil livros
numa caixinha de fósforos-
que diriam os copistas?

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

A saudade abriu-me um buraco
no peito
vive a preâmbular por aí,
ah danada!
Em cada rosto, cada gesto, cada canto,
eis que surge.
Saudade que só aumenta, enquanto
a roda do tempo urge
e nos carrega entre lamentos
taciturnos.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

SONETO ESPERANÇOSO

Espero um convite pra amar
na simples tarde vazia
cheia de pôr do sol e poesia
onde meu corpo descanse ao cavalgar.

Espero um chamado sutil
um contato inesperado
de um futuro ou passado
de uma esperança senil

O coração resignado
há de ser o ardil
do grande amor encontrado

Sobre o corpo feminil
hei de perder-me em bom grado
pequena de faces mil.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

                                                       CORAÇÃO PASSARINHEIRO

Minha imaginação
tem asas de andorinha
pra percorrer todo mundo.
Cantou como sabiá,
palpitou quando Bem-te-vi
naquele jardim etéreo.

Teu sorriso de rouxinol
encantou muitos pardais,
despertou paixões em muitos
gaviões, mas neste beija-flor
criou raízes profundas,
belíssima flor ingrata.

Teu perfume de jasmim
lembra-me o início do

fim.

sábado, 22 de junho de 2013

Sazonal


Chove em meus olhos
um dilúvio em minha vida
carregando entulhos
e flores caídas.

Por vezes chove fino
precipito-me leve
por momentos breves
o peito inclino.

Quando goteja no cimo
atino que estou amando
escalando alpino
montes pedregulhosos

Há dessas passageiras
pancada forte e ligeira
arrebata o fel
parte limpando o céu.

Quando no anel de nuvens
imagino-nas intocáveis
mas quando o sol esquenta
logo ao solo adentra

inventa mil desculpas
entre somente uma culpa
estulta,
no leito do rio carregada

A água recicla o ciclo
                 [da mágoa
alimentando os lençóis
verdejando fico lagoa
a esperar novos arrebóis.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Os poderes invisíveis
que em nossos corpos
operam, têm razões
muito visíveis, ocultas 
na sócio-esfera.
Os olhares que te
controlam o agir
inconscientemente impõem
a sutil opressão de seres
o que é, mulher objeto
de forças tão rígidas
impingidas por nós
e por vós que se calam
ante o controle da mente.
Por isso admira-me a voz
feminina que se levanta
e proclama sua auto-
libertação, que não se 
cala rompendo as amarras 
seculares da ambição humana
pelo controle mundano.
Me encantam os brados
fortes chamando à luta
unida, da nova aurora
da igualdade há tanto 
prometida, em que não se
reprima a vida que se
quer ver dividida.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Além da paixão da carne
encantam-me teus sorrisos
teus silêncios pensativos
teus abraços calorosos

Essa tua calma
traz-me serenidade
de píncaros à alma
imaginária do meu
                  [peito

Quero ter-te
sem possuir-te
mas possuindo

em teu peito
a ternura que
sempre entregas.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Para Marcão



Segue tua luz, mano
velho, a estrela que
te acompanha vai além
da estrela guia, carrega
contigo nossa utopia
mundana, de ver na terra
o fruto do trabalho verdadeiro.

Leva contigo a força de irmão,
de mãos dadas com a ingênua
esperança do nosso coração
que esbraveja por novos tempos
sem abandonar os saberes antigos,
buscando na práxis a nova
aurora, desejada, em breve encontrada.

Vai com a fé dos valorosos
desvalidos da história que te
acompanham desde tenra
idade, na amizade escolhida
pela tua alma, mas, sobretudo,
calma. Te acalma diante
do bicho-de-sete-cabeças

que ao final se mostrará
sem cabeça alguma, pois
nuncas soube as valorosas
regras do jogo do amor
fraterno que promove a união
universal dos digníssimos
indigentes, nossa gente.

Toma as rédias da história,
faça nossa tua História na
glória coletiva dos novos dias
pra que, em breve dia, possamos
celebrar com nossa cagibrina
regada a tabaco o novo
Marco da Nova História.

terça-feira, 7 de maio de 2013


Fui plantar amor-
perfeito, flor cheirosa
e delicada, na fundura
azul do peito

Eis que nasce um
girassol, flor bonita
e sorridente, se esparrama
em minha cama, faz veludo
                      [meu lençol

Ah florzinha mais danada
que voltou, veja só o arrebol,
vês que lindo minha amada

Olha a aurora, olha o sol
as estrelas na madrugada
se junta a mim nesse crisol

sábado, 27 de abril de 2013


Amiga, façamos um trato:
Te abro meu peito, entrego-
me inteiro e dou-te meu coração.
Em troca, não, não exijo nada

Nem peço que sejas minha.
Seja sempre sua própria
primavera, neste encanto
de doçura que brota dos teus
                          [beijos

Que nossos caminhos se cruzem,
se unam, quem sabe, um dia
que em minha existência será
pura alegria.

Somente te peço que me guarde
um sorriso, uma lágrima,
talvez (nem tudo são flores
                          e frutas),
mas, que no fim possa entregar-
se assim, quando te abres para
                                    [mim.

Te quero uma borboleta
a voar pelos jardins,
mas que eu seja sua flor
predileta, essencial em sua
                              [dieta

segunda-feira, 15 de abril de 2013


Vontades


Carrego comigo um turbilhão de desejos,
desejo contido,
em meus olhos a transbordar.
Não temam meu olhar
diletante,
esse apreciar,
constante,
meu querer,
só pode se consumar,
se a outrem apetecer.

Cativo de mim,
amador do belo,
me encerro na imagem,
miragem,
esquecendo-me até do que está próximo,
querendo me aproximar,
tal proximidade compartilhar.

Olvido-me de meu entorno,
Fixando-me em cada contorno,
esbarro em postes,
raros hotentotes,
sem nem mesmo me aperceber.

Por meus olhos, de holofote,
brilham como estrelas,
e eu, fico no intento de tê-las,
por perto,
entretelas em jogos de querer,
conhecer mistérios guardados com elas,
que dignifiquem suas formas belas.

Se não há oportunidade,
sou naufrago no mar,
mas se há a proximidade,
não a deixar escapar,
eis aí meu intento,
sou eu meu detento,
e assim hei de estar,
sempre a desejar,
procurar.      

domingo, 14 de abril de 2013


Poema de areia

O vento levou!
Ou, alguém pisou.
Mas na cabeça,
a ideia ficou.

Volte ao papel,
Poesia.
Não te metas
a besta,
Pois a areia,
em sua maresia,
não te quereria
quanto te quer o papel,
aceites teu fel.

Mas não,
Tu insistes!

Insista mais um pouco,
Que te deixo por aí,
somente
à tua sorte.
Entregue
à morte.



Sei, contigo,
que ela é macia,
não te feriste
quanto fere o grafite,
mas, não te sustenta,
nem acalenta,
nem poderia,
dar-te um abrigo.

A folha!
Esta, te agüenta,
sustenta e abriga.
Não é como rapariga,
desprezando quem a acolha.


sábado, 13 de abril de 2013


Eternas pequenas

Há,
em todas as mulheres,
uma menina,
escondida.

Poucas são aquelas
que deixam essa menina à vista,
poucas e belas!

Aquele ar juvenil,
pueril,
conservador da meiguice,
sempre encantador ao homem,
com sua eterna meninice.

Meninas mulheres
são admiráveis,
guardam dentro de si
sonhos inimagináveis,
que só a elas pertence.

Fadas e príncipes,
cavalos brancos,
tantos
são os artífices
de suas fantasias,
suas maravilhas.

Maravilhosas são
vós,
meninas de coração,
despertando atenção
de meninos de coração
aberto,
quando estão tão perto.

Cresçam
meninas,
amadureçam,
mas sem perder a ternura,
a candura de pequeninas,
que inflamam paixões,
em múltiplos corações.  


Faço o que penso,
pois,
penso o que faço.

Fazer pensado
dotado de reflexão
(ainda que irrefletida)
fazer modificado
moldado pela ação
do pensamento
reconhecedor de cada momento
diferente,
só vê semelhança, jamais
igualdade.

Reflexo da capacidade,
inculpado vai ser
o que não pensa o fazer?

sexta-feira, 12 de abril de 2013


Tua ausência, Amiga,
é qualquer coisa de
simples, não dói nem
mata, sustenta o carinho
que a ti entrego, e entreguei.
A distância se configura
um hiato no tempo, vindo
a mim nossas lembranças
no meu amanhecer solitário,
este despertar vago.
A saudade não me dói,
mas, a vontade de teus
beijos me corrói, me
põe em ardência extrema
no desejo de teus braços.
Ah, quem me dera agora
teus abraços, nesta hora
tenho medo de me perder,
te esquecer no primeiro
copo de cachaça.
Mas, eis que a ti
encontro, em meu
desencontro, naquele
bar de nosso re-
encontro, profundo.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Quem é você?
(No claro, não
no escuro da tua presença).

Quem é você,
quando ninguem te
vê?

quinta-feira, 21 de março de 2013

O Poeta ama tudo:
o vinho, a cebola
a massa e as lágrimas.

O Poeta odeia tudo:
o vinho, a cebola
a massa e as lástimas

solitárias.

domingo, 17 de março de 2013

Quantos mil,
quantos milhões,
morrem por dia nas folhas de
                                [jornais?

Quantos litros de sangue
nas bancas da cidade?
nas escolas?
quantos crack's bons de bola?
Se ela quisesse
seria só dela
meu interesse,
palavras belas
seria a musa
da aquarela.

Mas, ela abusa,
confusa, nem ousa
me dar um beijo,
se esquece do meu desejo,
(ensejo bem declarado)
nem responde meu recado.

Malvada, nem se dá conta
que quando a vejo
palpito o peito,
brilha em meus olhos
linda miragem.

Te quero! Não só no olhar
espero, te abraçar
afagar falar,
dividir sorrisos
planos bonitos
falar do mundo
ficar bem junto
do coração.

sábado, 16 de março de 2013


Naquela grama
deitei seus cabelos
Naquela rede
abracei teus beijos
Naquela festa
encantei-me de teus olhos
Pequena
Agora te mostras
tão linda
Mulher
Menina, ainda
guardo um retrato
de papel machê! 

sexta-feira, 15 de março de 2013

Retrato Falado


O Poeta, é um curioso,
nada lhe basta ou fadiga,
os trâmites de uma intriga
rendem material proveitoso.

Se lhe faltam palavras
logo inventa outras novas
que reproduzam o sentido
daquele sentimento, decaído.

entre trovas e prosas
verbosas ou proveitosas
o que o mantem é quanto tem.

Salva-te, oh Poeta,
da dor que se esconde
     (pro seu bem)
nas profundezas do amor

quinta-feira, 14 de março de 2013

Dança das Cadeiras

Para Sarney e cia

Cai o velho
volta o neto
e eu
continuo sem teto,
debaixo do viaduto
na fazenda da favela.

O cristo olha Altivo
do pão de açúcar
enquanto os crack's
da bola correm da polícia.

Um bigodinho a mais
um a menos, tanto faz,
só muda o tamanho da poupança,
estamos no mesmo barco
(mas, o meu vai pras águas santas)

Anestesia, ou cacetete
nos professores grevistas,
vai trabalhar malandragem!

quarta-feira, 13 de março de 2013


Poesia vazia



Poetar
sem boemia,
é como mar
sem maresia.

Amor
com pudor.

Jardim
sem flor.

Arco-íris
                                                                        De única cor.

terça-feira, 12 de março de 2013


Palavras aos Ventos

Utilizo idéias e palavras
recicladas,
do ciclo de outras cabeças
na minha fazem morada.

Te falo pra que não esqueças
bons pensamentos e úteis
combatentes de verdades
fúteis
(veleidades da vaidade)

Não sou sozinho no mundo
se o fosse seria mudo
ouviria silêncios profundos
seria incomum a tudo.

Descobri o que é ser junto
de tudo e todos que aprecio
por isso o que eu escrevo
são idéias de todo mundo.

Me abro, pois, abertura
será idéia madura,
guardada pela fiança
da pura desconfiança.
Condição

Não pago, nem pagaria
por um carinho ou afago,
a não ser com poesia.

segunda-feira, 11 de março de 2013


Ode ao Historiador
Para as Hitoriadoras e historiadores do coração do poeta


Historiar,
é desmistificar
o passado,
resgata-lo do seu esquecimento,
do jazimento,
coloca-lo à prova.

É pensar,
como homens viveram,
agiram, sofreram
e morreram.

Ressuscitando e resgatando
restos mortais,
materiais e imateriais,
o escavador do vivido
contrapõe à escatologia
o eterno vir a ser,
o estar sendo,
o seria,
o prazer e a dor do viver,
não quer ver finda sua razão de ser.

Viver condicionado,
indeterminado
porém, em um porvir
nunca fechado
ou barrado,
eis nosso existir,
de homens atuantes,
nunca figurantes
do fazer constante.

Somos fazedores da História,
mesmo não sabendo toda história,
cabendo a cada menestrel,
escolher nela seu papel,
nessa viagem,
onde só temos passagem,
nem sequer há bagagem,
onde ao fim
já não somos compostos,
somos decompostos
em iguais elementos,
múltiplos fragmentos
dos novos movimentos. 
Desejos à beira-mar


Quando te vi semi-
cúpia, nas águas
do mar gelado
quase me deu um
               [infarto.

Teu seio, todo
ouriçado, era
convite ao desejo.

Tua boca de
fruta salgada
me punha em
extrema sede

Era tua pele bronzeada,
porém, banhada de Lua,
estavas semi-hialina
velando o preamar.

Meus olhos, faróis
noturnos, clamavam
por teus desejos, mas
tu não viste (nem verias)
um terço de meus ensejos.

domingo, 10 de março de 2013


Só em pensar te re-
ver meu corpo todo
se agita, meu coração
saudoso logo palpita.

Minha cabeça impen-
sante logo sente e
apita, sonhando
beijos molhados,
abraços bem apertados,
nossos corpos colados,
nossos sexos se encontrando
no doce melado.

sábado, 9 de março de 2013


Opostos que se destroem

O amor (fora do casamento)
-É pecado!
Diz o pastor
-Leva ao inferno!
Diz o pai eterno
-Imoral!
Diz o padre missal

A guerra
-é santa!
Diz o profeta
-Justa, pelo contrário!
Diz o missionário
-Bela!
Diria Hitler sobre essa mazela

O amor
Fazemos escondido,
Já a guerra,
Com imenso alarido
Faz-se com clamor,
Em público

Façamos diferente,
Minha gente, pensemos,
Sejamos conscientes!

De agora em diante
Vamos amar no
Púlpito,
Faremos como amantes,
Ofegantes,
No ofegar secular 

Já a guerra,
Praticá-la-emos  
Interna!
Não alienemos nossos
Monstros
Aos outros.

Sem
vergonha,
Mostraremos nossas
Vergonhas
Uns aos outros,
Tocaremos nossas
Vergonhas!
Sem nenhuma moral
vazia,
Livres de hipocrisia,
Na primazia amoral
Amaremos.

Da guerra sim,
Teremos vergonha,
Vergonha extrema,
Em expansão,
Vamos esconde-la
Em nossa imensidão
Em nosso vão
Conflituoso

Alguém viu a guerra por aí?
Se viu,
Esqueça,
Sumiu!

E se alguém ver
O amor,
Me conte,
Estarei lá neste instante.


Fogueira Fagueira

Carrego
desde menino,
promessa que faço,
meninas:
-Não as deixo apagar,
caso provoquem faíscas,
não as quero deixar,
pequenas, desentendidas,
em brasa a faiscar.

Sou menino de tino,
desde que sou pequenino!

Ah, como o fogo é gostoso!
Esquenta o corpo inteirinho,
com seu carinho de chamas
indica que estou no caminho.
Por isso quando me chamas,
atendo ao seu chamamento,
convergindo a seu convite
vivendo cada momento
te ascendo fogueira fagueira. 

sexta-feira, 8 de março de 2013

                      8 DE MARÇO
                                                                  Para una compañera!
Oh Rosa, tu que
fizeste a revolução
em meu peito, agora
me faltas ao leito.

So Frida vida de
poeta, triste sina
de amar estas Belas
Giocondas.

Pagu pra ver quem
não choraria na falta
daqueles olhos vadios,
na falta daquela Lutz.

Dandara dará permissão
pra tocar, em seu nome,
os lábios da preta,
nas curvas deste planeta
chamado mulher.

Não creio, mas,
Vallejo-me diosa,
por via das dudas:
Não me deixes morrer
sem Florbelas.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Receita (Reduzida) de Mulher

                     Dedicada ao Poetinha
                     Vinicius de Moraes

                 
Não lhe deve faltar alguma beleza.
Inteligência?!
Não se dispensa.
Falar macio
Ou com carinho.
Mentir não vale,
A sinceridade é essência
Não dispensável.
Interessante, despertar desejos,
Ainda mais se forem ensejos
Como os meus.
Ainda melhor sendo...
!


terça-feira, 5 de março de 2013

Latinoamerica 

Los Zapatas y Zapatecas
Toltecas, Incas y Maias
Evo, evoé Fidel! Marcos 
Chavez, Zumbi y Che
Martís and Tatanca Iyotake (Siting Bull?)
Clamam Pachamama, Respire,
Mãe, transpire e suspire!
Receba Tupac Amaru, Paraguaçu
Marley’s, Jóia Jara
Raoni, Bolívar.
Receba agora em teu solo
o grande comandante Chavez.
Mártir libertador, como tantos
foram e serão. Receba-o em teu
colo como a semente do Amanhã.
No volverán, não vão derrubar o
Poder Popular!

Os meninos de Lua
viajam em seus foguetes
de lata, saciando vontade
inata.

Ascendendo ao foguete
chegam à Lua num instante.

Gostariam muito de viver
com a Lua,
parece bem mais justinha
que sua falsa República.

Mas, só a visitam
durante a noite
fugindo do açoite
interno.

Gostariam tambem
de um pedacinho dela,
só pra saber se é de
queijo mesmo.

Eles sonham, em sua viagem,
com beijos de virgens
para aliviar suas mazelas,
mas,

Todos sabem que tem um
pai, porem, já se esqueceu
Deles.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Para Cícero Guedes dos Santos

Na usina onde os gorilas
queimavam os Lutadores
Um Lutador se emocionou
à distância de algumas

décadas, tempo difíceis
para ambos. Hoje o Lutador
está caído, o sangue na
bicicleta fecunda a terra.

Outros Cíceros virão
Felisburgo não se esquecerá
Nem Eldorado dos Carajás
Pois a Luta, irmãos,

Há de continuar
Há de triunfar
Pelas mãos dos destemidos
Sem Terras e Sem Terrinhas 

domingo, 3 de março de 2013


Perco as palavras
Versos se esquecem
De existir diante da sua poesia.

Seu riso frouxo
Na cara de séria e grave
De olhar sorrateiro
Como o olhar da mulher amada.

Ah a mulher amada,
Aquela encontrada na aurora
Perdida pela madrugada
Embriagada de beijos sedentos
E olhares macios.

Nada tão cruel e tão prazenteiro.

sábado, 2 de março de 2013


Quando nasci nem
anjo torto nem caí-
do se dispôs a rece-
ber. Fui saudado

pelas plantas: " há
de ser Poeta!", pois
cheguei à atmosfera
trazendo à estação

das flores, enquanto
os astros se despediam
do signo virginal.

Triste sina de menino
escravo da beleza,
das sutilezas destas
               [ pequeninas.

Doei a vida à dor
de ser, amar, sofrer
enfim, viver.

sexta-feira, 1 de março de 2013

HOMENAGEM DE MALANDRO

Talvez, se me chamassem
João, encontraria eu a solução.
Não me chamam nem Raimundo
Mas, em meu coração cabe um mundo.

Seguindo Maiakovski,
 soul todo coração,
cabem aqui rinocerontes
macacos, peixes e caixão.

Cabe aqui o sentimento do mundo,
Mesmo não sendo Raimundo,
Mesmo não sendo João.

Comprometido com tua vida
Eu, poeta canastrão,
Digo que o coração palpita.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013


Desculpas
Se não querias me descobrir,
não deverias me perguntar
de ti!
Não deverias sorrir e me
procurar, com teus olhos
vadios!
Feches teus olhos para mim
e não me odeie, somente
me compreenda e deixe-me
te amar ao longe, ou calado
ao teu lado!
                 Subúrbios

Casas caídas,
vidas destorcidas
em destroços de concreto!

Concretamente, sonhos
perdidos!

Esperança ainda resta,
resta passado
resta futuro
mas o presente, este traz
Angústia!

Augustas, Antônios
Angélicas e Josés,
Anjos de pé preto e
paz comovente!

Gente que sobre-
vive nas margens
violentas sem amargura.

TERAPIA ALTERNATIVA

Então, eu te afogo
num copo gelado de cerveja
dou um, dois tragos
deixo o caderno sobre a mesa.

Me vem uma vontade súbita
de te banhar em cachaça
(de te sugar decúbita)
assim a cabeça relaxa.
Relaxa, qual nada
Só pensa em ti
bem-amada.

E assim a vida flui
essa saudade apertada
no álcool se dilui.

domingo, 24 de fevereiro de 2013


Soneto Pedagógico

A boniteza de estar
no mundo! A incomen-
surável beleza de ser,
e, sendo, viver aprendendo.

Nos fonemas da alegria
me inspiro, suspiro e
defino minha prática,
nunca estática ou acabada.

Teo-prática, práxis
teórica, para ser
redundante neste
             [instante.

Práxis do amor pelos
oprimidos, os valorosos
desvalidos da História.


Para Paulo Freire e Thiago de Mello.

Soneto de um novo prelúdio
Penso em ti amiga.
a folha branca,
como tua pele,
como tu não se despe
Me acaricia,
me põe em alerta
e me desperta
no banho de água fria.
Diz-me que são pudores,
que há de me dar alento
no momento exato das flores.
aguardo,tranquilo,o momento
guardado aos nossos amores,
espero seu chamamento.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013


Não escreva,
Não faça versos
Não publique
Não se venda
Não se consuma
a escrever poemas.
Transforme
o verso
Trans Minta
o in verso.

Sonetinho Indeciso
Queria, talvez, escrever-te
uns versos, mas, quando
aponto o grafite, escondem-se
os travessos, por traz das linhas
                              [em branco
Dissipam-se as idéias,
(onde será tua aldeia?)
palavras se tornam vagas
demorosas em brotar.
Recorro aos meus poetas
que me fecham seus ouvidos:
-Pra que tanto alarido?
Retorno ao meu coração
eis que ali te encontro
nos versos da nova canção!
Gostas?