sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

É um desejo tão puro
tão intenso
que te exorciza
retira você do pensamento
e renasce desejo

Barreiras morais dirão
não, mas, a paixão
consentiu um delírio,
novo viver em martírio
perdido em novo ensejo.

Puristas renegarão
mas, poetas hão de aprovar
este sentir sincero
quando digo que te quero
sem mais razão.

Não há mais por quê
basta o querer
que se explica
na busca do prazer
que brota na fonte do ser.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Soneto Atrevido

A poesia nada me pede,
a poesia nada me impede
de querer-te, mesmo proibido
de transcender teus sentidos.

Verve-me grande libido
a vontade logo cede
ao beijo (extrema sede)
do olhar tão retraído.

Re-meches o teu cabelo
(encantam-me teus receios)
e falas sorrateira.

Mal sabes, linda Pequena,
me pesa a triste pena
de não saber-te solteira.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

SER SKATISTA


É sentir nos cabelos e na pele
o vento vindouro de cada salto!
Sentir tambem na epiderme
a aspereza do asfalto,
de canelas calejadas e
faltos de temeridade,
percorrendo as ruas
da
hostil
Cidade.

É viver o desafio entre o medo
e a simples superação de si.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

NOTÍCIAS DE UM TRISTE JOÃO DE BARRO

João de Barro já não pode
sua casinha habitar.
Sucede que a companheira
de gorjeios e carícias
decidiu fazê-lo só.

Pobre Diabo, este João
de Barro,
já não trina, já não come,
prefere a água que passarinho
não bebe, quer morrer de dor e fome!

Cada pedacinho do seu lar de barro,
feito em conjunto com a bem amada,
trata sempre de lembrá-lo
o quão felizes que eram
em seu ninho desencantado.

Pesa-lhe e fere o passado, mas,
ainda crê no futuro poder
aquela amiga rever,
ou, sabe-se lá, ter nova companheira
nesta sua vida passarinheira.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014


CONDIÇÃO


Não Pago, nem pagaria,
por um carinho ou afago,
a não ser com poesia,
pra ter alguém ao meu lado

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Mulheres ocultas
Você me hipnotiza, traz desejos do inconsciente que já havia deixado, martiriza e nem sente. Teu ego é tão grande que te permite entrar em minha mente e nem notar, conscientemente.
Tu, és ex-tinta, só versos e rimas
com ideias-primas.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

                                                     MANUELINA


Um marimbondo quis fazer
o poeta de casa.
O esteta, amigo do quilombo,
fez graça, deixou-se ser
morada daquele quizombo.
Passaram os dias, o bichinho
fazia do bardo triste um
pote de barro, mode melhor
acomodar sua estada.
Fez tanta graça o menestrel
que cismou chamar joão-de-barro
a morar lá. Chamou.
Borboleta tambem quis, e,
aquele coração duro, feito
pote de barro, ficou tenro,
florido de auroras.
Nasceu Rosa, Girassol,
Amor-perfeito fez raízes,
Abelha foi visitar
aquele jardim etéreo.
Fez-se alegria, depois tristeza
de inverno, primavera floriu
e desaguou verão no fim do outono.