UM POETA
O poeta é aquele ser louco
a vociferar versos aos
olhos e ouvidos alheios
Aquele que vive, por vezes,
da renúncia ao prazer
do sentimento nascente
Pois ainda guarda no peito
aquela antiga afeição
nunca e jamais desfeita.
Por outras vezes, porém,
entrega a outros braços
seus abraços renovados.
Eterno refém, segue sua sina
ante ao irresistível e
belo sorriso de menina.
Repleto de seus quereres
perante um desejo maior
se entrega, pleno, à vida.
Vê outros mundos, o Poeta:
onde uns vêem lixo
enxerga ele resquícios
De vida, de opulentos monturos
faz matéria de poesia:
vê as grandezas do ínfimo.
Donde alguns vêem repetição
vê ele a rica beleza
preenchendo o cotidiano
Mesmo da longa fila do feijão
faz evento excitante,
faz dela análise, social.
Canta o Poeta a descoberta do
Homem, operário que vê
sua mão em tudo que lhe rodeia.
Do camponês semeando a terra
ainda na madrugada
lutando pra que amanheça.
O tempo relativo aos Poetas
segue ritmo distinto
da marcação dos relógios
É um tempo sempre fluido
onde as três dimensões
contemporizam-se entre si.
De sua ética ele é criador
crítico, observando os
valores, descarta impiedades
Acolhendo a benevolência
busca manter-se alheio
ao pesar da consciência.
Um Poeta é vário em si mesmo,
muitos habitam seu ser
ao mesmo tempo tão solitário.
Um Poeta não se define ou descreve
ele se esvai, se sublima
frente ao verso do poema...