segunda-feira, 25 de março de 2013

Quem é você?
(No claro, não
no escuro da tua presença).

Quem é você,
quando ninguem te
vê?

quinta-feira, 21 de março de 2013

O Poeta ama tudo:
o vinho, a cebola
a massa e as lágrimas.

O Poeta odeia tudo:
o vinho, a cebola
a massa e as lástimas

solitárias.

domingo, 17 de março de 2013

Quantos mil,
quantos milhões,
morrem por dia nas folhas de
                                [jornais?

Quantos litros de sangue
nas bancas da cidade?
nas escolas?
quantos crack's bons de bola?
Se ela quisesse
seria só dela
meu interesse,
palavras belas
seria a musa
da aquarela.

Mas, ela abusa,
confusa, nem ousa
me dar um beijo,
se esquece do meu desejo,
(ensejo bem declarado)
nem responde meu recado.

Malvada, nem se dá conta
que quando a vejo
palpito o peito,
brilha em meus olhos
linda miragem.

Te quero! Não só no olhar
espero, te abraçar
afagar falar,
dividir sorrisos
planos bonitos
falar do mundo
ficar bem junto
do coração.

sábado, 16 de março de 2013


Naquela grama
deitei seus cabelos
Naquela rede
abracei teus beijos
Naquela festa
encantei-me de teus olhos
Pequena
Agora te mostras
tão linda
Mulher
Menina, ainda
guardo um retrato
de papel machê! 

sexta-feira, 15 de março de 2013

Retrato Falado


O Poeta, é um curioso,
nada lhe basta ou fadiga,
os trâmites de uma intriga
rendem material proveitoso.

Se lhe faltam palavras
logo inventa outras novas
que reproduzam o sentido
daquele sentimento, decaído.

entre trovas e prosas
verbosas ou proveitosas
o que o mantem é quanto tem.

Salva-te, oh Poeta,
da dor que se esconde
     (pro seu bem)
nas profundezas do amor

quinta-feira, 14 de março de 2013

Dança das Cadeiras

Para Sarney e cia

Cai o velho
volta o neto
e eu
continuo sem teto,
debaixo do viaduto
na fazenda da favela.

O cristo olha Altivo
do pão de açúcar
enquanto os crack's
da bola correm da polícia.

Um bigodinho a mais
um a menos, tanto faz,
só muda o tamanho da poupança,
estamos no mesmo barco
(mas, o meu vai pras águas santas)

Anestesia, ou cacetete
nos professores grevistas,
vai trabalhar malandragem!

quarta-feira, 13 de março de 2013


Poesia vazia



Poetar
sem boemia,
é como mar
sem maresia.

Amor
com pudor.

Jardim
sem flor.

Arco-íris
                                                                        De única cor.

terça-feira, 12 de março de 2013


Palavras aos Ventos

Utilizo idéias e palavras
recicladas,
do ciclo de outras cabeças
na minha fazem morada.

Te falo pra que não esqueças
bons pensamentos e úteis
combatentes de verdades
fúteis
(veleidades da vaidade)

Não sou sozinho no mundo
se o fosse seria mudo
ouviria silêncios profundos
seria incomum a tudo.

Descobri o que é ser junto
de tudo e todos que aprecio
por isso o que eu escrevo
são idéias de todo mundo.

Me abro, pois, abertura
será idéia madura,
guardada pela fiança
da pura desconfiança.
Condição

Não pago, nem pagaria
por um carinho ou afago,
a não ser com poesia.

segunda-feira, 11 de março de 2013


Ode ao Historiador
Para as Hitoriadoras e historiadores do coração do poeta


Historiar,
é desmistificar
o passado,
resgata-lo do seu esquecimento,
do jazimento,
coloca-lo à prova.

É pensar,
como homens viveram,
agiram, sofreram
e morreram.

Ressuscitando e resgatando
restos mortais,
materiais e imateriais,
o escavador do vivido
contrapõe à escatologia
o eterno vir a ser,
o estar sendo,
o seria,
o prazer e a dor do viver,
não quer ver finda sua razão de ser.

Viver condicionado,
indeterminado
porém, em um porvir
nunca fechado
ou barrado,
eis nosso existir,
de homens atuantes,
nunca figurantes
do fazer constante.

Somos fazedores da História,
mesmo não sabendo toda história,
cabendo a cada menestrel,
escolher nela seu papel,
nessa viagem,
onde só temos passagem,
nem sequer há bagagem,
onde ao fim
já não somos compostos,
somos decompostos
em iguais elementos,
múltiplos fragmentos
dos novos movimentos. 
Desejos à beira-mar


Quando te vi semi-
cúpia, nas águas
do mar gelado
quase me deu um
               [infarto.

Teu seio, todo
ouriçado, era
convite ao desejo.

Tua boca de
fruta salgada
me punha em
extrema sede

Era tua pele bronzeada,
porém, banhada de Lua,
estavas semi-hialina
velando o preamar.

Meus olhos, faróis
noturnos, clamavam
por teus desejos, mas
tu não viste (nem verias)
um terço de meus ensejos.

domingo, 10 de março de 2013


Só em pensar te re-
ver meu corpo todo
se agita, meu coração
saudoso logo palpita.

Minha cabeça impen-
sante logo sente e
apita, sonhando
beijos molhados,
abraços bem apertados,
nossos corpos colados,
nossos sexos se encontrando
no doce melado.

sábado, 9 de março de 2013


Opostos que se destroem

O amor (fora do casamento)
-É pecado!
Diz o pastor
-Leva ao inferno!
Diz o pai eterno
-Imoral!
Diz o padre missal

A guerra
-é santa!
Diz o profeta
-Justa, pelo contrário!
Diz o missionário
-Bela!
Diria Hitler sobre essa mazela

O amor
Fazemos escondido,
Já a guerra,
Com imenso alarido
Faz-se com clamor,
Em público

Façamos diferente,
Minha gente, pensemos,
Sejamos conscientes!

De agora em diante
Vamos amar no
Púlpito,
Faremos como amantes,
Ofegantes,
No ofegar secular 

Já a guerra,
Praticá-la-emos  
Interna!
Não alienemos nossos
Monstros
Aos outros.

Sem
vergonha,
Mostraremos nossas
Vergonhas
Uns aos outros,
Tocaremos nossas
Vergonhas!
Sem nenhuma moral
vazia,
Livres de hipocrisia,
Na primazia amoral
Amaremos.

Da guerra sim,
Teremos vergonha,
Vergonha extrema,
Em expansão,
Vamos esconde-la
Em nossa imensidão
Em nosso vão
Conflituoso

Alguém viu a guerra por aí?
Se viu,
Esqueça,
Sumiu!

E se alguém ver
O amor,
Me conte,
Estarei lá neste instante.


Fogueira Fagueira

Carrego
desde menino,
promessa que faço,
meninas:
-Não as deixo apagar,
caso provoquem faíscas,
não as quero deixar,
pequenas, desentendidas,
em brasa a faiscar.

Sou menino de tino,
desde que sou pequenino!

Ah, como o fogo é gostoso!
Esquenta o corpo inteirinho,
com seu carinho de chamas
indica que estou no caminho.
Por isso quando me chamas,
atendo ao seu chamamento,
convergindo a seu convite
vivendo cada momento
te ascendo fogueira fagueira. 

sexta-feira, 8 de março de 2013

                      8 DE MARÇO
                                                                  Para una compañera!
Oh Rosa, tu que
fizeste a revolução
em meu peito, agora
me faltas ao leito.

So Frida vida de
poeta, triste sina
de amar estas Belas
Giocondas.

Pagu pra ver quem
não choraria na falta
daqueles olhos vadios,
na falta daquela Lutz.

Dandara dará permissão
pra tocar, em seu nome,
os lábios da preta,
nas curvas deste planeta
chamado mulher.

Não creio, mas,
Vallejo-me diosa,
por via das dudas:
Não me deixes morrer
sem Florbelas.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Receita (Reduzida) de Mulher

                     Dedicada ao Poetinha
                     Vinicius de Moraes

                 
Não lhe deve faltar alguma beleza.
Inteligência?!
Não se dispensa.
Falar macio
Ou com carinho.
Mentir não vale,
A sinceridade é essência
Não dispensável.
Interessante, despertar desejos,
Ainda mais se forem ensejos
Como os meus.
Ainda melhor sendo...
!


terça-feira, 5 de março de 2013

Latinoamerica 

Los Zapatas y Zapatecas
Toltecas, Incas y Maias
Evo, evoé Fidel! Marcos 
Chavez, Zumbi y Che
Martís and Tatanca Iyotake (Siting Bull?)
Clamam Pachamama, Respire,
Mãe, transpire e suspire!
Receba Tupac Amaru, Paraguaçu
Marley’s, Jóia Jara
Raoni, Bolívar.
Receba agora em teu solo
o grande comandante Chavez.
Mártir libertador, como tantos
foram e serão. Receba-o em teu
colo como a semente do Amanhã.
No volverán, não vão derrubar o
Poder Popular!

Os meninos de Lua
viajam em seus foguetes
de lata, saciando vontade
inata.

Ascendendo ao foguete
chegam à Lua num instante.

Gostariam muito de viver
com a Lua,
parece bem mais justinha
que sua falsa República.

Mas, só a visitam
durante a noite
fugindo do açoite
interno.

Gostariam tambem
de um pedacinho dela,
só pra saber se é de
queijo mesmo.

Eles sonham, em sua viagem,
com beijos de virgens
para aliviar suas mazelas,
mas,

Todos sabem que tem um
pai, porem, já se esqueceu
Deles.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Para Cícero Guedes dos Santos

Na usina onde os gorilas
queimavam os Lutadores
Um Lutador se emocionou
à distância de algumas

décadas, tempo difíceis
para ambos. Hoje o Lutador
está caído, o sangue na
bicicleta fecunda a terra.

Outros Cíceros virão
Felisburgo não se esquecerá
Nem Eldorado dos Carajás
Pois a Luta, irmãos,

Há de continuar
Há de triunfar
Pelas mãos dos destemidos
Sem Terras e Sem Terrinhas 

domingo, 3 de março de 2013


Perco as palavras
Versos se esquecem
De existir diante da sua poesia.

Seu riso frouxo
Na cara de séria e grave
De olhar sorrateiro
Como o olhar da mulher amada.

Ah a mulher amada,
Aquela encontrada na aurora
Perdida pela madrugada
Embriagada de beijos sedentos
E olhares macios.

Nada tão cruel e tão prazenteiro.

sábado, 2 de março de 2013


Quando nasci nem
anjo torto nem caí-
do se dispôs a rece-
ber. Fui saudado

pelas plantas: " há
de ser Poeta!", pois
cheguei à atmosfera
trazendo à estação

das flores, enquanto
os astros se despediam
do signo virginal.

Triste sina de menino
escravo da beleza,
das sutilezas destas
               [ pequeninas.

Doei a vida à dor
de ser, amar, sofrer
enfim, viver.

sexta-feira, 1 de março de 2013

HOMENAGEM DE MALANDRO

Talvez, se me chamassem
João, encontraria eu a solução.
Não me chamam nem Raimundo
Mas, em meu coração cabe um mundo.

Seguindo Maiakovski,
 soul todo coração,
cabem aqui rinocerontes
macacos, peixes e caixão.

Cabe aqui o sentimento do mundo,
Mesmo não sendo Raimundo,
Mesmo não sendo João.

Comprometido com tua vida
Eu, poeta canastrão,
Digo que o coração palpita.