sábado, 22 de junho de 2013

Sazonal


Chove em meus olhos
um dilúvio em minha vida
carregando entulhos
e flores caídas.

Por vezes chove fino
precipito-me leve
por momentos breves
o peito inclino.

Quando goteja no cimo
atino que estou amando
escalando alpino
montes pedregulhosos

Há dessas passageiras
pancada forte e ligeira
arrebata o fel
parte limpando o céu.

Quando no anel de nuvens
imagino-nas intocáveis
mas quando o sol esquenta
logo ao solo adentra

inventa mil desculpas
entre somente uma culpa
estulta,
no leito do rio carregada

A água recicla o ciclo
                 [da mágoa
alimentando os lençóis
verdejando fico lagoa
a esperar novos arrebóis.

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