Sazonal
Chove em meus olhos
um dilúvio em minha vida
carregando entulhos
e flores caídas.
Por vezes chove fino
precipito-me leve
por momentos breves
o peito inclino.
Quando goteja no cimo
atino que estou amando
escalando alpino
montes pedregulhosos
Há dessas passageiras
pancada forte e ligeira
arrebata o fel
parte limpando o céu.
Quando no anel de nuvens
imagino-nas intocáveis
mas quando o sol esquenta
logo ao solo adentra
inventa mil desculpas
entre somente uma culpa
estulta,
no leito do rio carregada
A água recicla o ciclo
[da mágoa
alimentando os lençóis
verdejando fico lagoa
a esperar novos arrebóis.
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