terça-feira, 9 de agosto de 2022

DITO E FEITO

Para o meu proveito

faço eu um poema direito

sem intenção de ser perfeito.

As palavras no papel ajeito

como se fora um leito

que recebe o próprio sujeito

cansado de atuar no eito.

Sem cantar o que foi malfeito

as palavras a torto e a direito

escrevo assim do meu jeito

livrando-me do ar rarefeito.

O coração a bater no peito

cansado de ser o suspeito

de fazer do amor desfeito

uma parcela do meu despeito.

Minha incapacidade eu aceito

sabendo que não fui eleito

o primeiro em seu conceito

ao qual presto eu meu respeito.

Se ainda quiser eu aceito,

me sinto então satisfeito

em ter meu querer reeleito

em sua vontade, em seu pleito.

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