sábado, 8 de março de 2014

8 DE MARÇO II

Vós tens o que a nós,
homens, falta e o
mundo doente carece.

Vós trazeis consigo, para
além da frieza racionalista
a sensibilidade extrema

de saber ler no real
aquela parte invisível
aos olhos fatigados

de homens insensíveis,
com o toque Feminino
de indizível sabedoria.

Vós, que carregais no
Ventre fecundo a semente
do novo ser,

por isso, possuis o instinto
de decifrar neste mundo
o que a nós, seria indistinto,

além da delicadeza
que traz a Maternidade
com tamanha responsabilidade.

Este Vosso sutil poder,
dos homens logo sabido,
causou-lhes a sensação

que a eles não restava
o controle do Vosso ser,
que a vossa liberdade

seria do homem a causa
da temida dependência
de seu claustro vaginal.

Por quantos séculos Vós
sentirdes a mão pesada
de adão a segurar-lhes

as rédias, do destino
e de seus corpos, num
domínio amorfo, de tantas

formas orquestrado,
como nos mostra a História
dos Homens e das Mulheres?

Mas, não sentiram caladas:
 quantas fogueiras sedentas
abrasaram os Vossos corpos?

Quantas frias lâminas
em seus clitoris cravadas
quiseram tirar-lhe o gozo?

Quantas jornadas duplas,
triplas, de trabalho deixaram
os seus belos corpos cansados?

Quantas de Vós se ergueram
contra o patriarcado misógino
e por ele foram tragadas?

Mas, Vós sois da resistência:
mesmo a mulher submissa
que em seu lar comanda

o dia-dia, o Cotidiano 
de seu próprio opressor.
Ou então a Mulher guerreira

que se levanta ante aos
verdugos, por toda vida,
em busca de autonomia.

Tantas Guerreiras, que
ano passado cantei,
tantas formas de lutar

tantas formas de se levantar
que repito mais uma vez:
Assim te quero Mulher:

Linda
Livre
Louca

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