segunda-feira, 10 de março de 2014

Que me adianta
cantar às flores
se os lavradores
estão sem chão?

Que me adianta
cantar amores
se o campo
medra só desamor?

Que me adianta, salafrário
cantar as belezas da paixão
se, com seu mísero salário,
o operário não tem feijão?

Que me adianta
sentir sincero
quando jornais
             [inveros
enganam ao nosso
               [irmão?

Que farei eu do amor
que guardo, carrego
ante a triste sina
da criança desnutrida?

De que vale, cantar os mares
se, em múltiplos lugares
a seca mata, resseca a alma
de mulheres, bichos e homens?

Que me adianta
amar teus olhos
ao verem tristes
Correr tamanha
                            devassidão?

Que me adianta, dizer carinhos
se muito próximo, em um caminho
a mulher sofre, apanha e cala
em algum canto, em sua casa?

Que valem estes versos,
em desalinho, enquanto
aquele velhinho saudoso
relembra no asilo, seus tempos

de bom pai e marido?

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