Quanto me sinto sozinho
mas esta solidão não dói,
é como se estar completo
no próprio ser que remói.
Antes de viver em conjunto
só posso dar contributos
aos demais com quem convivo
após me saber a sós.
Por vezes também incomoda
sinto falta de outrem
a quem possa olhar nos olhos
para desabafar sentimentos
ou dar minha impressão
do mundo em que vivemos.
Mas, sabendo-me solitário
preencho de tinta o papel.
A quem devo procurar
para preencher o vazio?
Os amigos que me faltam
estão a viver a vida
cada qual em seu momento.
Não quero me sobrepor
em suas vidas completas
onde pra mim não há tento.
Será uma fase da vida
quando eu aos outros falto
e sinto também a falta?
Vivo eu da ausência
no mundo conectado
onde curtir a mensagem
faz parte da amizade
onde me mostro uma imagem.
O abraço apertado vira
um coração na postagem
ou uma curtida vazia
do belo significado
que é se estar lado a lado.
Quanto será que alimento
estas redes de contatos que são
elas, muitas vezes, antissociais?
Após o afastamento, necessário,
vigente em tempos pandêmicos
será que nós saberemos
viver em comunidade?
Será que desaprendemos
o convívio face a face
quando da internet vem
uma mensagem mais fácil?
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