terça-feira, 28 de junho de 2022

WWW.SOLIDÃO

Quanto me sinto sozinho

mas esta solidão não dói,

é como se estar completo

no próprio ser que remói.

Antes de viver em conjunto

só posso dar contributos

aos demais com quem convivo

após me saber a sós.


Por vezes também incomoda

sinto falta de outrem

a quem possa olhar nos olhos

para desabafar sentimentos

ou dar minha impressão

do mundo em que vivemos.

Mas, sabendo-me solitário

preencho de tinta o papel.


A quem devo procurar

para preencher o vazio?

Os amigos que me faltam

estão a viver a vida

cada qual em seu momento.

Não quero me sobrepor

em suas vidas completas

onde pra mim não há tento.


Será uma fase da vida

quando eu aos outros falto

e sinto também a falta?

Vivo eu da ausência

no mundo conectado

onde curtir a mensagem

faz parte da amizade

onde me mostro uma imagem.


O abraço apertado vira

um coração na postagem

ou uma curtida vazia

do belo significado

que é se estar lado a lado.

Quanto será que alimento

estas redes de contatos que são

 elas, muitas vezes, antissociais?


Após o afastamento, necessário,

vigente em tempos pandêmicos

será que nós saberemos

viver em comunidade?

Será que desaprendemos

o convívio face a face

quando da internet vem

uma mensagem mais fácil?



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